"Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?"
Carlos Drummond de Andrade
Sim, de tudo fica um pouco...
Restam os olhares,
Restam os beijos,
Ficam os sabores.
Sim, de tudo algo é residual...
Restam as conversas,
Restam os liquores,
Fica a querência.
Sim, há algo que é mantido...
Restam as horas perdidas,
Restam os sorrisos,
Fica a saudade imensa.
Sim, há algo que é mantido...
Restam as horas perdidas,
Restam os sorrisos,
Fica a saudade imensa.
Se de tudo resiste um pouco,
Que persista um tanto,
Pelo menos um tanto,
De mim em você...
Pelo menos um tanto,
De mim em você...
Que, eu insisto, um bocado,
Uma réstia,
Um traço de mim,
Remanesça em você...
Uma réstia,
Um traço de mim,
Remanesça em você...
Fernando Person
13 de março de 2018
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