Perguntaram-me
certa vez,
Indiscretamente:
-
Por que está com ela?
Justamente
você!
Incrédulo,
fiz-me desentendido;
Às
vezes é bom não ceder tantos
Créditos
à indagação alheia.
O
sujeito, porém, insistia:
-
Oras! Você que não é belo,
Não
é esportista,
Não
é sapiente,
Não
é responsável.
-
Você que é desengonçado,
Que
é desleixado,
Que
é mal pagador,
Como
com ela está?
................................................................
Como
alguém atira na minha face
Verdades
tão dolorosamente
Despidas
de rodeios e pudor?
Refleti
calmamente, no entanto.
Olhei-o
como quem se mira no espelho e disse:
-
Talvez eu a faça feliz assim.
Sim,
talvez!
-
Talvez eu a entenda tão bem
Que
basta fitá-la para
Saber
que há algo errado,
Se
há algo a incomodando.
-
Talvez eu a compreenda tanto
Que
nesses momentos eu faça
Uma
piada ou uma brincadeira tola
Só
para arrancar um sorriso trigueiro.
-
Talvez ela se sinta bem comigo
Justamente
porque ela percebe
Que
minha presença é importante,
Que
certamente ela pode confiar.
- Talvez
um abraço apertado surja
Pois
eu sei dos caminhos de sua terra.
Eu
sei e sempre saberei onde
Ela
guarda seus segredos mais profundos...
O
sujeito não mais indagou nada;
Convencido,
quem sabe, resignou-se.
E as
angústias que em mim estavam
Ecoaram
através do azul celeste....
Fernando Person
Barueri,
madrugada de 12 de junho de 2010