sexta-feira, 27 de maio de 2016

O meu amor

O meu amor não é espiritual
Não é amor para todo o sempre.
Antes de tudo ele é carnal,
Súbito, efêmero e urgente.

O meu amor não precisa mostrar
A terceiros que se faz presente.
E muito menos declara que está a amar.
Ele se cala a dois, com corpos rentes.

O meu amor mente, é malandro.
Diz “te amo” por obrigação,
Para uma simples felação.
 Não é divino, mas erra – é humano.

O meu amor é singelo; não ama.
Nem é romântico, nem é ilusão.
O meu amor é amor-cama
Com nosso suor no colchão.

O meu amor é sujo e vil.
Roça, bate, geme e sangra
E depois não fala nem um piu.
Não diz sequer nem mais um piu...

Fernando Person

(Barueri, 01 de outubro de 2008)

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