sábado, 28 de maio de 2016

A um Pai

A um Pai

Quando criança não entendia porque ias à casa dela.
Durante semanas procuravas um meio de fugir
Comigo, com flores nas mãos e com a barba feita.
Sempre perfumado, enfim, ias.

Faz tempo, Pai, é verdade.
Mas queria saber o que fazias naquele casarão
Enquanto estava eu à espera de ti...
Por que sempre brigavas com aquela mulher?

E, a despeito do que pensava, saías feliz de lá.
Sim, andavas pela avenida alegre e cheio de si!
Mas era apenas pisar em nossa casa e – pronto –
Brigavas com mamãe ou recolhia-te num canto qualquer.

Hoje Pai, mulher feita, compreendo todos
Os motivos de mamãe ter te abandonado.
Crê, Pai, ela nunca mais falou de ti...
E depois de toda briga, de todo choro, de todo engodo
Pergunto, apenas: Pai, por quê?


Fernando Person

Barueri, 10 de janeiro de 2008

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