A um Pai
Quando criança não entendia porque ias
à casa dela.
Durante semanas procuravas um meio de
fugir
Comigo, com flores nas mãos e com a
barba feita.
Sempre perfumado, enfim, ias.
Faz tempo, Pai, é verdade.
Mas queria saber o que fazias naquele casarão
Enquanto estava eu à espera de ti...
Por que sempre brigavas com aquela
mulher?
E, a despeito do que pensava, saías
feliz de lá.
Sim, andavas pela avenida alegre e
cheio de si!
Mas era apenas pisar em nossa casa e –
pronto –
Brigavas com mamãe ou recolhia-te num
canto qualquer.
Hoje Pai,
mulher feita, compreendo todos
Os motivos de mamãe ter te abandonado.
Crê, Pai, ela nunca mais falou de
ti...
E depois de toda briga, de todo choro,
de todo engodo
Pergunto, apenas: Pai, por quê?
Fernando Person
Barueri, 10 de janeiro de 2008
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