Com
açúcar, sem afeto
Chegas
em casa toda madrugada.
Tresadando
a cachaça apareces,
Feito
um coitado,
Que
não tem para onde ir.
Choras
como criança,
Imploras
feito um escravo.
Dizes
bobagens, que vais mudar;
Pedes
meus braços a te consolar!
Ah,
meu amor, sabes que já me roubastes
Tantas
alegrias e decepções!
Tanta
ausência e desprezo e gemidos e suores
Triturados
num caldo que sobrou de ti...
Uma rala
e insossa baba
Sem
amor,
Sem
carinho,
Sem
sexo...
Mas
venha, meu amor,
Não
espere nem mais um instante!
Bebe
do meu cálice
Traga
meu liquor!
Sorve-o
até a última gota!
Depois
me possua até o amanhecer!
E
deixe-me, enfim, ouvir o estertor
Dos
alvos caminhos teus!
Venha,
adormeça nos braços meus...
Dorme,
dorme tranqüilo, criança,
Pois
a partir de hoje
Nada
mais de mim terás!
Fernando Person
São Paulo, madrugada de 15 de março de 2011
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