sexta-feira, 27 de maio de 2016

Com açúcar, sem afeto

Com açúcar, sem afeto

Chegas em casa toda madrugada.
Tresadando a cachaça apareces,
Feito um coitado,
Que não tem para onde ir.

Choras como criança,
Imploras feito um escravo.
Dizes bobagens, que vais mudar;
Pedes meus braços a te consolar!

Ah, meu amor, sabes que já me roubastes
Tantas alegrias e decepções!
Tanta ausência e desprezo e gemidos e suores
Triturados num caldo que sobrou de ti...

Uma rala e insossa baba
Sem amor,
Sem carinho,
Sem sexo...

Mas venha, meu amor,
Não espere nem mais um instante!
Bebe do meu cálice
Traga meu liquor!

Sorve-o até a última gota!
Depois me possua até o amanhecer!
E deixe-me, enfim, ouvir o estertor
Dos alvos caminhos teus!

Venha, adormeça nos braços meus...
Dorme, dorme tranqüilo, criança,
Pois a partir de hoje
Nada mais de mim terás!

Fernando Person

São Paulo, madrugada de 15 de março de 2011

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