Vandré
Ao
léu, sozinho, caminha o velho
Na
esperança de um dia voltar
Há
tempo aos momentos que lhe
Foram
tão vividos...
Recluso,
pouco diz o homem;
Por
vezes, sem nexo, murmura sons,
Suspira
sofregamente e se acovarda
Com
o porvir que, a se revelar, insiste.
As vozes
e liras e flores de outrora,
Estranhamente
amalgamadas
A
tambores, marchas, estampidos e lamúrias,
Inda
lhe cantam perfumes desvanecidos.
Anos
de luta lhe custam, em seu âmago,
Um
fardo de sangue pungido à revelia.
Mas
ludibriado, quem sabe, por si mesmo
Seus
pulmões enche a cantar Fabianas!
Se
esperar não é saber por que esperas tanto?
Por
que te arrastas dia a dia meio trôpego,
Estorvado,
fustigado, temente e tributável
À
espera de um passado luzente?
Por
que não contas tudo?
Por
que não dizes a verdade?
Por
que não olhas nos meus olhos?
Por
quê?
Fernando Person
São Paulo, 17 de
agosto de 2012
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