sexta-feira, 27 de maio de 2016

Vandré

Vandré

Ao léu, sozinho, caminha o velho
Na esperança de um dia voltar
Há tempo aos momentos que lhe
Foram tão vividos...

Recluso, pouco diz o homem;
Por vezes, sem nexo, murmura sons,
Suspira sofregamente e se acovarda
Com o porvir que, a se revelar, insiste.

As vozes e liras e flores de outrora,
Estranhamente amalgamadas
A tambores, marchas, estampidos e lamúrias,
Inda lhe cantam perfumes desvanecidos.

Anos de luta lhe custam, em seu âmago,
Um fardo de sangue pungido à revelia.
Mas ludibriado, quem sabe, por si mesmo
Seus pulmões enche a cantar Fabianas!

Se esperar não é saber por que esperas tanto?
Por que te arrastas dia a dia meio trôpego,
Estorvado, fustigado, temente e tributável
À espera de um passado luzente?

Por que não contas tudo?
Por que não dizes a verdade?
Por que não olhas nos meus olhos?
Por quê?

Fernando Person

São Paulo, 17 de agosto de 2012

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