sexta-feira, 27 de maio de 2016

Morte em vida

A vitrola entoa um réquiem
Que badala sincopado.
E num instante me esqueço de mim...
Olho o nada mas o nada não me olha...
Me desespero.
Meu coração pulula ao ver que...
.................................................

Por que saíste de mim?
Por que me deixaste assim?
Espasmos musculares, arrepios,
Turbilhão de pensamentos que se
Sobrepõem feito tijolos que
Me impedem de ver-te...
E a dor pujante e angustiosa
Não cede um momento sequer!

Não!
Não fujas de mim!
Me mostra tua luz!
Eu só vejo a escuridão...
Toma-me,
Abraça-me,
Acalma-me com teus raios...

Eu quero os teus raios!
Afasta-me do chão,
Tira-me do não,
Não me esqueça, por favor...
Pois eu cansei de cantar a dor!
Eu só quero a calma de um lago sereno...
Eu quero, enfim, a Paz!

Não a derradeira dos loucos, desvairados,
Deprimidos, depressivos e taciturnos
Que minguam por Amor!
Mas, ah, meu coração...
Meu coração não me deixa sozinho
Um minuto sequer!

Ela há de vir...
Ela há de vir, ouviu?
Pois mesmo depois de fustigado o corpo,
De derramado o sangue, de angustiado a
Mente, de tropeçado o coração, nasce
O sol novamente - mesmo que incólume
A todos meus mundanos anseios...

A vitrola já não ouço mais....
......................................................
Volto a mim e choro,
Simplesmente.

E, olha, tenho que dizer:
O que Mozart não faz a gente pensar...

Fernando Person
(em algum momento de 2007...)

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