sexta-feira, 27 de maio de 2016

Não te sintas mal

Não te sintas mal
E nem te culpes pelo que fizemos!
Cada instante em que estamos juntos
São momentos que não mais voltam.

Ah, mulher, por quantas ruas caminhei pensando em ti!
Por quantos rios, vales, matas e cumes
Aflito percorri só para um dia poder, enfim,
Ter o prazer extático de nossos corpos apegados!

E como estou feliz contigo!
Juntos, esquadrinhei alguns de teus caminhos
Desse teu belo e ansioso corpo, feito um
Desbravador de terras errante.

Como, mulher, me senti alegre
Ao ter bebido do teu cálice!
Pois a alegria de viver é, meu amor, uma chama
Que insufla nosso barro já vivente.

Mas me diga, mulher, se Pandora
Aprisionou o último mal dos males,
Que assombram a humanidade,
Como o sinto presente em meu coração?

Como posso senti-lo se nosso amor é curto?
Como posso querer-te mais se é amor datado?
Como, meu amor?
Como?

Ah, mulher, e agora que não paro mesmo de pensar em ti?


Fernando Person

São Paulo, 03 de março de 2010

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