sexta-feira, 27 de maio de 2016

Amar

“Se o amor é desejo, se o desejo é carência, só podemos amar o que não temos, e sofrer com essa carência...”


André Comte-Sponville

Um só dia sem te ver,
Sem me perder no vazio
Infinito de teus olhos,
É um sofrimento, meu amor,
Incansável, que me incomoda,
Me aflige e angustia.

Amo-te, meu bem;
Finalmente comigo estás.
E te desejo ainda como aquele desbravador
De terras errante, ansioso por fisgar sua presa.
Mas, estranhamente, ao mesmo tempo
Você é de mim tão alheia tão distante...

Amo-te intensamente,
Desejo-te excessivamente,
Te julgo tão importante
Nesse nosso lampejo de existência!
Mas se só cobiçasse o que de mim para mim está
Como poderia eu amar-te infinitamente?

Como poderia eu sentir tua ausência?
Como poderia eu ter saudades?
Pois amar é vontade, meu bem,
É desejo,
É querência.
É vazio, mesmo que infinitesimal.

Amor, eu te amo
Dia a dia,
A cada segundo,
A cada chegada,
A cada partida...

Fernando Person

Barueri, madrugada de 29 de abril de 2011

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