sábado, 28 de maio de 2016

Retrato de um Passageiro Paulistano

Retrato de um Passageiro Paulistano



Sentado na plataforma
Espero o trem passar;
São nove da noite
E eu só penso em poder deitar.

A multidão toda embolada
Tenta, em vão, no vagão entrar.
A chuva de hoje à tarde
Conseguiu os trilhos alagar.

Comi, bebi, esperei
E nada de trem passar.
E eu aqui sentado
Com o corpo quase a arriar.

Alguns vêm ao fundo da plataforma
Tentando, de certo, fumar.
O policial, porém, apoiado pela lei,
Não pensa nem sequer em deixar.

A morena de hoje de manhã
Nem percebe que estou a olhar;
De manhã ela só me espreitava
Mas agora só pensa em como chegar.

Tudo que eu quero é, enfim,
Ir para casa, tomar um banho, relaxar,
Para, então, no dia seguinte
Eu, exausto, ter que ir trabalhar.

E ainda existem pessoas que dizem
Que brasileiro só pensa em vadiar;
Ah, meus caros, que visão é essa?
Deixem-nos ao menos o sábado pra sambar!
                                                                                                           
Fernando Person
São Paulo, 03 de dezembro de 2009

(escrito na estação Pinheiros)

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