Retrato
de um Passageiro Paulistano
Sentado
na plataforma
Espero
o trem passar;
São nove
da noite
E eu
só penso em poder deitar.
A
multidão toda embolada
Tenta,
em vão, no vagão entrar.
A
chuva de hoje à tarde
Conseguiu
os trilhos alagar.
Comi,
bebi, esperei
E
nada de trem passar.
E eu
aqui sentado
Com
o corpo quase a arriar.
Alguns
vêm ao fundo da plataforma
Tentando,
de certo, fumar.
O
policial, porém, apoiado pela lei,
Não
pensa nem sequer em deixar.
A
morena de hoje de manhã
Nem
percebe que estou a olhar;
De
manhã ela só me espreitava
Mas
agora só pensa em como chegar.
Tudo
que eu quero é, enfim,
Ir
para casa, tomar um banho, relaxar,
Para,
então, no dia seguinte
Eu,
exausto, ter que ir trabalhar.
E ainda
existem pessoas que dizem
Que
brasileiro só pensa em vadiar;
Ah,
meus caros, que visão é essa?
Deixem-nos
ao menos o sábado pra sambar!
Fernando Person
São Paulo, 03 de
dezembro de 2009
(escrito na estação
Pinheiros)
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