“Eles pensam que a maré vai, mas nunca
volta...”
(Paulo Pontes & Chico Buarque)
Quando o céu escureceu e o sol se
apagou
Nada dizia que de fato partirias.
Parecia apenas um vazio súbito
Que lentamente invadia o dia a dia.
A cada instante que teimava em passar
O que era presente se tornou raro,
O que era escasso virou um vislumbre,
O que mantinha vivo o pensamento, um
sonho.
Negros, os rostos expressavam apenas
dor.
Não havia jovens embriagados
caminhando ao léu,
Não havia o simples rastro de vozes
ecoando nas ruas.
O amor, egoísta, expulsava os que diferente
amavam.
Existia, sim, um vulto estranho em
casa esquina:
Sempre a mesma sensação medonha,
A todo o momento os mesmos gemidos
padecidos,
Sempre o som do réquiem em tom menor.
Retornaste, finalmente, muitos e
muitos anos depois
Revolvendo os brios daqueles que um
dia
Tanto esperaram aflitos por ti...
Contudo, como destilar o que a memória
clama?
Não queremos inquisição, não desejamos
ódio.
Pedimos, senhores, que o céu de tantas
famílias
Volte a ter um pincel, um raio, uma
réstia de luz;
Exigimos a mais ilustre Verdade, tão
somente.
Fernando Person
São Paulo, 21 de março de 2012
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