Rabiscos
Sentada numa mesa de bar
Você me olha como quem nada quer.
Eu, gentil, retribuo com um olhar
De quem tudo deseja!
Nossos olhos não se separam.
Você, cheia de si, faz um quê...
Mexe as madeixas, mordisca a boca,
Me espreita a sorrir.
Respondo prontamente!
Aflito, porém, me lanço
Na esperança de ter seu
Corpo colado ao meu.
Confusa, você diz e desdiz.
Seu ímpeto antes desvanecido
Sem mais desperta, se valoriza,
Com seu olhar incessante aos meus
lábios.
Sua estranha dança parece
Meu corpo querer evitar.
Mas seus falsetes sem fim
Denunciam sua rendição.
Loucos rabiscos seus desfilam
Em meu corpo já fustigado.
Alvos caminhos, enfim, de mim partem
Ansiosos para você alcançar...
Sentada num quarto à meia luz
Você me olha como quem nada mais quer.
E eu, satisfeito, retribuo com um
olhar
De quem já tudo tem.
Fernando Person
Em algum momento de 2010
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