Assim
foi meu último dia de lavoro:
Uma
ansiedade em minha alma,
Um
certo receio do futuro,
E,
pela única vez, o prazer do labor criativo.
Minhas
mãos recobertas de terra denunciam o crime;
Hoje
eu assassinei quarenta vegetais que insistem
Em
desfiar aquele mesmo fio que vida ainda fabrica,
Ainda
que à toa.
E
olha que já perdi a conta de quantos matei...
É
simples: o gênero humano, imerso na sua mediocridade,
Pensa
que pode superar os revezes da existência.
Este
ser, então, usurpa de tudo como se fosse seu.
Daí
modifica o que fora criado, casualmente ou não.
Sim,
enche de excrementos o próprio meio em que vive,
Extingue
aqueles que seriam seus reles servos,
Produz,
enfim, tosse, sufoco, ardor, cânceres e morte.
Ah,
Homo incipiente, quão sádico és!
Faz-me
assassinar singelas criaturas auto-suficientes
Para
corrigir o engano que é tua autonomia!
Ah,
Homo decadente! Ah, Homo insipiente!
Não,
poeta baiano, não diga mais nada!
Eu
sei: we´re not that strong, my Lord...
Sim, já aprendi: it´s a
long, long, long,
Very long,
too long and winding way...
Fernando Person
São Paulo,
30 de março de 2010
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