“Every time we say goodbye I die a little...”
Cole Porter
Não consigo parar de pensar em ti.
E como poderia, amor, depois de tantas
Belas, saudosas e desejadas
Palavras trocadas noite a fora?
Mas, como, se ver-te agora é
impossível?
Sozinho ao léu eu caminhei, meu amor.
Em rostos alheios busquei teu jeito;
Um olhar furtivo, um sorriso certo.
Melenas trigueiras, enfim, procurei
Mas em nenhum deles te vi.
Não contente num só elã tomei destino.
E, à luz de um pensamento fixo,
Firmes passos me dirigiram a casarões,
A salas, a corredores e a jardins
Repletos de sons, cheiros e cores.
Neles, lânguidas mulheres reclinavam-se
até mim
Mostrando-me seus tenros seios, suas alvas
coxas.
Desvairadas, mulheres furtavam-me
desdenhosas
Pela atenção que eu nem lhas prestava.
Mas em nenhuma delas eu te vi.
Em outros corpos te desejei, meu amor.
Por difíceis vales eu passei,
Negras matas eu adentrei,
Íngremes cumes eu alcancei.
Mas, meu amor, em nenhum deles te vi...
Desesperançoso não mais a busquei.
Resignei-me apenas aos meus
pensamentos,
À minha paixão,
À minha saudade,
Enfim, amor, ao meu eterno sofrimento
sem ti...
Fernando Person
Barueri, madrugada do
dia 10 de maio de 2010
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